Terça-feira, Setembro 19, 2006

Novos caminhos para a humanização do parto


Humanizar o nascimento é respeitar e criar condições para atender as dimensões psicológicas, biológicas e sociais da parturiente.

Por: Renata Silveira - Em: www.hebron.com.br

O parto é um processo natural, o início de uma transformação. Nossa cultura descreve a hora do nascimento de um filho como sendo uma dor insuportável, esquecendo que o parto normal apresenta uma relação mais estreita com a natureza. Os processos musculares de contração das paredes vaginais e dilatação do colo uterino, os movimentos do bebê e as sensações fortes, são interpretadas como dor, porém, esse "processo doloroso" pode se tornar maior quando vem acompanhado de medo e insegurança.

Os números das cesáreas estão crescendo em passo acelerado. A Organização Mundial de Saúde recomenda que as taxas de cirurgias cesarianas não devam ultrapassar 15%. Na maioria dos estabelecimentos hospitalares privados, a média de cesáreas fica em torno de 80%. Entretanto, esse não é um fato generalizado. Alguns hospitais estão investindo em instalações para o parto normal, e com isso, os números de cesarianas estão sendo reduzidos. Investem em salas especiais de pré-parto e quartos Labor Delivery Room (LDR), espaço com hidromassagem, cores escolhidas de acordo com a cromoterapia, espaço para caminhadas, a fim de facilitar o trabalho de parto, e música ambiente a gosto da paciente.


Governo incentiva o parto normal

O Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de incentivo ao parto normal e redução das cesáreas. De acordo com dados de 2004, do Sistema de Nascidos Vivos (Sinasc), 41,8% dos partos realizados em todo o Brasil foram cirúrgicos. A campanha atinge todo o país. Cerca de 90 mil cartazes e 3 milhões de folderes sobre os benefícios do parto humanizado estão sendo distribuídos para mulheres grávidas e profissionais dos serviços de saúde públicos e privados, que atendem gestantes e realizam partos.

Recentemente, foi garantido em lei e regulamentado pelo Ministério da Saúde o direito da mulher, em trabalho de parto e pós-parto, ter um acompanhante na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). "O parto normal pode ser uma experiência enriquecedora para a mulher e sua família se atendido de forma humanizada, com fundamentação em evidências científicas e sem intervenções desnecessárias. As cesáreas aumentam os riscos de morte, lesões acidentais, reações à anestesia, infecções e hemorragias das usuárias, prematuridade e desconforto respiratório dos bebês", afirma a diretora do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Cristina Boaretto.


Parto Humanizado

A bióloga Bartira Carvalho, 29 anos, nasceu de parto normal e sempre quis ter um filho da mesma forma. Tem uma filha de 4 anos e durante sua gestação mudou algumas vezes de médico, buscando um adepto ao parto normal. Leu bastante para se informar. Conheceu o site www.amigasdoparto.com.br e acabou tendo um parto normal, hospitalar, com algumas intervenções, mas de acordo com o que a agradava. "Foi um parto bom e fácil. Passado um ano do nascimento de minha filha, voltei a ler sobre o assunto. Conheci mais pessoas e fui me apaixonando pela causa, enxergando o quão importante ela é", afirma.

Em 2004, começou a escrever nos blogs www.partohumanizado.blogger.com.br e no www.xoepisio.blogger.com.br e a trabalhar voluntariamente ajudando outras mulheres que desejam mais informações para tomar decisões sobre seu parto. Bartira não é radicalmente contra a tecnologia, trabalha, inclusive, com informática há mais de 10 anos, porém, enxerga a gravidez como um evento fisiológico, natural do corpo da mulher, sendo o parto seu ápice. "A mulher, estando saudável e tendo o acompanhamento necessário à sua gestação, verá que é tudo muito simples. O parto em si, em condições normais, não exige tecnologia" diz.

Categórica, a bióloga acredita que o elevado índice de cesáreas no Brasil é atribuído a desinformação das mulheres (que acreditam que uma cesariana é menos complicada que um parto normal). Em escala maior, o papel da mulher tem mudado negativamente com o passar das décadas. "Acho que a medicalização do parto tem relação com um tema maior e mais complexo, que é o desempoderamento da mulher e a desconexão com seu próprio corpo. Informação é a palavra-chave nesse tema. Mulheres bem informadas, usando a medicina baseada em evidências, podem saber o que será melhor para seu corpo e seu filho" afirma.


Tipos de Parto

Não existe um tipo de parto ideal para todas as mulheres, e sim variáveis de escolha. A gestante precisa de um bom pré-natal, porque nesse período tira todas as dúvidas sobre a gestação e o parto. Existem diferentes tipos de parto, porém, é bom destacar que alguns motivos, como o preparo psicológico e expectativas da mulher, do companheiro, da família, saúde materna e fetal, devem ser pensados, para que a decisão seja acertada.

Abaixo segue informações sobre diferentes tipos de parto:


Normal (vaginal)

É dividido entre parto vaginal normal e cirúrgico. Para o parto normal a mulher deve ser preparada durante o pré-natal. Esse processo necessita de uma grande participação da gestante. Já o parto normal cirúrgico acontece quando a mãe está cansada ou a criança se encontra em posição difícil para sua saída. Nesse caso, o médico faz um corte em um dos lados da vagina. Apesar da intervenção, o parto é considerado normal.

O parto normal possui algumas variantes, tais como:

*Parto de cócoras: é realizado da mesma forma do natural, apenas muda a posição da mãe, que, em vez de ficar na posição ginecológica mais utilizada, sustenta-se de cócoras. O parto é mais rápido por ser auxiliado pela força da gravidade, também é cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê, pois não existe a compressão de importantes vasos sanguíneos, o que acontece com a mulher deitada de costas. As vantagens começam com a participação do pai, a ausência de métodos invasivos para o alívio da dor, a liberdade de movimento que a mulher vai ter no momento do nascimento do seu filho e sua recuperação imediata. Lembrando que o parto de cócoras apenas deve ser realizado se o feto estiver na posição cefálica (com a cabeça para baixo).

*Parto na água: é uma modalidade de nascimento onde a mulher fica dentro da água durante o trabalho de parto e o bebê chega ao mundo no meio aquático, como estava no útero. A água deve está aquecida a 36°C e o pai ou acompanhante pode entrar na banheira com a futura mamãe. Os nascimentos costumam ser suaves e calmos.

*Parto domiciliar: é realizado no lar da parturiente, de forma natural, com a presença de profissional capacitado acompanhando o processo. Vantagens como desfrutar da atmosfera tranqüila do próprio lar é a principal causa para a escolha dessa forma de parto.


Cesário

Tem a finalidade de extrair o feto do ventre materno por meio cirúrgico. Apesar da larga incidência, só deveria ser realizado em situações de risco para mãe ou bebê. O médico necessita fazer um corte de 8 a 12 cm na região acima do púbis para o nascimento da criança. É indicado em casos como bebê macrossômico (muito grande e pesado), prolapso de cordão, descolamento prematuro de placenta, placenta prévia, sofrimento fetal e em casos de doenças maternas, como eclampsia, herpes genital, e HIV (a transmissão para o feto diminui quando se faz parto cesário). Também é recomendado nos casos de cirurgias ginecológicas prévias e gestação gemelar, quando o útero fica muito distendido, pois pode ocorrer ruptura da cicatriz por ocasião da expulsão fetal. Após duas ou mais cesáreas deve-se repetir a via cirúrgica. Em casos atípicos, como feto córmico, quando o feto está em situação transversa (deitado) e não existe possibilidade de nascimento e em malformações fetais.


Parto do Princípio
O site "Parto do Princípio" (www.partodoprincipio.com.br) vem tendo uma repercussão bastante interessante perante a sociedade. Divulga informações sobre humanização do nascimento, orientando mulheres nesse tema e assuntos correlatos. A rede pela maternidade ativa, em breve, deverá se tornar uma ONG. Este canal de informação e apoio às gestantes que desejam ter um parto normal ativo, conta com várias voluntárias. São mães, em sua maioria, que tiveram tanto experiências positivas quanto negativas nos partos, contribuindo com o apoio coletivo e divulgação de informações para outras mulheres, que como elas, buscam um parto mais saudável.

Ingrid Lotfi, 29 anos, é co-fundadora da "Parto do Princípio" e luta para as mulheres terem apoio na hora da escolha pelo parto normal. "A cultura de que o parto é um evento perigoso, imprevisível e sofrido é difundido por décadas. Com isso, tanto os obstetras quanto as mulheres, acabam sucumbindo à cirurgia eletiva, alienando-se de todo o processo, que seria mais seguro e enriquecedor, tanto para a mulher quanto para o bebê. É preciso que as mulheres percebam os benefícios do parto normal e tornem-se participantes das decisões. Dessa forma, naturalmente, surgirão mais profissionais atuantes dentro dessa perspectiva onde a mulher resgata o protagonismo no nascimento do filho", destaca.
Doulas

Mulheres que dão suporte físico e emocional a outras antes, durante e após o parto, são chamadas "doulas", palavra que, em grego, significa mulher que serve. Antes, as mulheres que acompanhavam os partos eram as mães, irmãs, vizinhas, ou mulheres que já tinham filhos. Com o passar dos anos, o parto foi passado para o domínio médico. Dentro do cenário hospitalar cada profissional está preocupado com os aspectos técnicos de sua função. E quem cuida do bem estar físico e emocional da mãe que está dando a luz? Esse espaço é preenchido pela ¿doula¿, ou acompanhante do parto, que se encarrega de suprir a demanda por emoção e afeto. Antes do parto, ela orienta o casal sobre o que esperar do processo e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente. Durante o parto, a doula explica os complicados termos médicos e ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto, apresentando formas eficientes de respiração e propondo medidas naturais, que podem suavizar as dores, como banhos, massagens, relaxamento etc. Após o parto, ela faz visitas, oferecendo apoio em relação à amamentação e cuidados com o bebê.

Pesquisas internacionais mostram que a atuação da doula diminui em 50% as taxas de cesárea, 20% a duração do trabalho de parto, 60% os pedidos de anestesia, 40% o uso de oxitocina e 40% o uso de fórceps.

Ana Cristina Duarte é doula. Tem 2 filhos, sendo o primeiro nascido de cesárea e o segundo de parto normal. "Durante a primeira gestação não procurei informações suficientes e acabei sendo atendida no pré-natal e no parto por um médico que só fazia cesáreas¿. No segundo filho conseguiu ter parto normal. ¿Fiquei em trabalho de parto por mais de 12 horas, confinada e sozinha, sem entender o que estava acontecendo ao meu redor e com meu corpo. Mas, o parto em si, foi uma grande alegria, pois pude resgatar a minha feminilidade e auto-confiança", afirma.

Ana acredita que a ajuda de uma doula poderia ter mudado o tratamento que teve no hospital. Seu bebê poderia ter nascido em melhores condições, ela poderia ter se sentido mais segura e menos assustada. Mas não conhecia esse trabalho. Depois do parto normal começou a pesquisar em busca de informações sobre o assunto e conheceu vários profissionais atuantes dentro de um novo modelo de obstetrícia centrada na mulher. Juntou-se a outras mães e montou o site Amigas do Parto (www.amigasdoparto.com.br), visando oferecer informações de qualidade a gestantes e profissionais da assistência obstétrica.


Indução do parto

A obstetrícia e ginecologia vivenciam o crescente uso do misoprostol na indução do parto e seu papel potencial na redução de cesáreas. O misoprostol é um análogo sintético da prostaglandina e, como tal, aumenta o tônus uterino, favorece o desenvolvimento de contrações e causa o amolecimento do colo do útero, facilitando a dilatação necessária à realização de métodos obstétricos.

No Brasil, a utilidade do medicamento em obstetrícia é superior a de outras prostaglandinas, por causa da sua eficácia, facilidade de uso e baixo custo. O uso do misoprostol além de ser recomendado na indução do parto, também é indicado para o amadurecimento do colo do útero.
Humanizar o parto é dar liberdade de opções à mulher, proporcionar um atendimento focado em suas necessidades, e não em crenças e mitos. O médico deve mostrar todas as opções de escolha, baseado no pré-natal e desenvolvimento fetal, e acompanhar essas escolhas, interferindo o mínimo possível.

escrito por BARTIRA CARVALHO em 21:59

Quinta-feira, Setembro 07, 2006

Caminhando para o Parto Natural: Movimente-se!




*Produzido pela JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), o pôster (reproduzido acima) traz posições que ajudam a trazer alívio para as dores e segurança emocional...*
(Nota da Bart: copiei do Blog do Felipe: Pai de Menina - mto bom blog, aliás!)

escrito por BARTIRA CARVALHO em 22:15

Domingo, Setembro 03, 2006

Curso Nacional de Capacitação de Doulas da ANDO

Porto Alegre, RS


Data e horário:
29 de setembro a 2 de outubro de 2006 (sexta, sábado, domingo e segunda). No domingo teremos o horário reduzido em função das eleições.

Local:
Microvita - Rua Dr. Mário Totta, 382 Tristeza - Porto Alegre / RS - www.microvita.com.br

Carga horária:
32 horas (teórico/prático)

Investimento:
R$ 490,00 ou 2x R$ 250,00 (entrada e cheque para 15 dias)
Nota: em caso de desistência, não há devolução, podendo-se transferir para outra data ou pessoa.

Equipe Docente (no mínimo de 3 a 4 palestrantes por curso):

a. Lucía Caldeyro: Pedagoga, Educadora Perinatal com orientação psicodramátca e Transpessoal, Doula há 20 anos, vice-presidente da ANDO-Associação Nacional de Doulas, membro da DONA, Doulas of North América onde realizou cursos de Capacitação de doulas e Doula Trainer entre outros. Membro fundadora da ReHuNa.

b. Neusa Berlese Oliveira Jones: Enfermeira obstetra, doula capacitada pela DONA, Doulas of North America;membro do Conselho Deliberativo da ANDO.

c. Cristina Balzano Guimarães: Fisioterapeuta, Cromoterapeuta, professora de Yoga, Doula, capacitada pela Dona, (Doulas of North América), Membro fundador e integrante da diretoria da ANDO. Membro da ReHuNa.

d. Ricardo Hebert Jones: Obstetra Homeopata, Membro da Rehuna, Coalition for Improving Maternity Services - CIMS

Apoio:
» ANDO (Associação Nacional de Doulas)

Comissão Organizadora:
Fabiana Panassol
Larissa Grandi
Maria José Goulart

Atenção:
O curso só acontecerá nas datas programadas se tiver a quantidade mínima de participantes que o viabilize. A organização se dá o direito de transferí-lo ou mesmo cancelá-lo sem ônus para nenhuma das partes.

Outras informações:
Porto Alegre: (51) 9986 7488
Campinas: (19) 3251 8137

escrito por BARTIRA CARVALHO em 20:53

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Meu nome é Ingrid Lotfi, tenho 29 anos, sou do Rio de Janeiro. Sou doula formada pela ANDO e Analista de Sistemas. Sou casada e tenho um filho de 3 anos e 11 meses, chamado João Victor que nasceu de uma cesárea desnecessária, o que gerou todo esse meu envolvimento com a área de humanização do nascimento.

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Meu nome é Bartira Carvalho, tenho 29 anos, sou do Rio de Janeiro. Sou bióloga e trabalho com Informática na área das Geociências. Sou casada e tenho uma filha de 4 anos e 5 meses que nasceu de parto normal hospitalar. Meu interesse pelo Parto Humanizado vem da época da gestação, mas somente em 2003 consegui pensar sobre o parto, digerí-lo e então lutar pela divulgação da humanização do nascimento. Também escrevo no XôEpisio!

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Recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1996

Para humanizar o Parto as seguintes condutas:
No pré-natal
planejar onde e como o nascimento será assistido;
avaliação do risco durante a gestação;
monitoramento do bem-estar físico e emocional da mulher;
respeitar a escolha da gestante sobre o local e nascimento;
prestar informações sempre que necessário;

Na admissão
respeitar a privacidade da mulher;
respeitar a escolha do acompanhante;

Durante o trabalho de parto
oferecer líquidos via oral;
dar suporte emocional empático;
prestar informações sempre que necessário
uso único de materiais descartáveis;
respeitar o direito à opinião sobre a episiotomia;
corte do cordão umbilical tardio com material estéril;

Posição durante o trabalho de parto
encorajar a posição não deitada;
liberdade de posição e movimento;

Controle da dor
alívio por meios não invasivos, não farmacológicos (massagens, técnicas de relaxamento, etc...);

Monitoramento
do bem-estar físico e emocional da mulher;
fetal, por ausculta intermitente do progresso do trabalho de parto por meio do partograma;

Após a dequitação
exame de rotina da placenta;
uso de ocitócitos no terceiro estágio se há risco de hemorragia;
prevenção da hipotermia do nenê;
amamentação na primeira hora.

Os Direitos da Mulher
01. Presença do companheiro ou alguém da família para acompanhar o parto, dando segurança e apoio.
02. Receber as orientações, passo a passo, sobre o parto e os procedimentos que serão adotados, com a mulher e o bebê. A mulher bem informada faz melhor a sua parte, ajuda mais.
03. Receber líquidos (água, suco), pois o trabalho de parto pode durar até 12 horas.
04. Liberdade de movimentos durante o trabalho de parto. A mulher pode caminhar sem restrições.
05. Escolha da posição mais confortável para o parto.
06. Relaxamento para aliviar a dor. Pode ser massagem, banho morno ou qualquer forma de relaxamento conveniente para a mulher.
07. Parto seguro, sem muitos procedimentos que podem até atrapalhar em vez de ajudar. É importante verificar sempre as contrações e escutar o coração do bebê.
08. Contato imediato com o bebê logo que nasce. Muito importante para mãe e filho.
09. Alojamento conjunto, para que o bebê fique o tempo todo perto da mãe, recebendo seu carinho e atenção.
10. Respeito. A mulher deve ser respeitada, chamada pelo nome, ter privacidade, ser atendida em suas necessidades.

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