Sexta-feira, Abril 25, 2008

PARTO: MITOS E FATOS


Autora: Ana Cristina Duarte
Doula, Educadora Perinatal, Graduanda em Obstetrícia pela USP Leste
Mãe de Júlia (Cesárea Desnecessária) e Henrique (Parto Normal Hospitalar)

Fonte:Parto do Princípio/Parto: Mitos e Fatos

São poucos os fatos da vida envoltos em tanto mistério, medos e tabus quanto o parto. Talvez nem o sexo tenha sido tão mistificado, alguém aqui já ouviu falar de quem tenha medo de morrer de sexo? Ou de ter falta de líquido, cordão enrolado, bacia estreita para o sexo?
Quem já esteve grávida fartou-se de ouvir de amigos, parentes, conhecidos e até de desconhecidos sobre os grandes perigos do parto. Todo mundo tem uma história trágica a contar. São tantas histórias dramáticas que não consigo entender como é que as nossas cidades não estão povoadas de pessoas lesadas, paralisadas, ressecadas e enroladas em cordões assassinos! Sem contar nas mulheres alargadas e com incontinência urinária no último grau.
Qual é a grávida que não foi parada pela manicure, pela cobradora do ônibus, pela cunhada da prima da vizinha para ouvir uma história tenebrosa sobre o bebê que bebeu água do parto, que chorou na barriga, que fez cocô no líquido amniótico, que secou de tanto que passou da hora, que tinha 30 voltas de cordão no pescoço, que teve um parto seco, que teve um fórceps tão forte que lhe afundou o crânio de lado a lado?
Se você está grávida e se a sua barriga já aparece, certamente você já ouviu uma história dessas e não gostou nada dos pulos que seu coração deu. Pensando em ajudar as mulheres que se encontram nessa situação, aqui vão algumas dicas para ajudar a desmistificar os "grandes perigos" que as cercam quanto mais o parto se aproxima.

Falta de Dilatação
Muitas mulheres hoje em dia dizem que não conseguiram ter um parto porque tiveram falta de dilatação.
Tecnicamente não existe falta de dilatação em mulheres normais. Ela só não acontece quando o médico não espera o tempo suficiente. A dilatação do colo do útero é um processo passivo que só acontece com as contrações uterinas.

Bacia Estreita
Uma mulher com bacia estreita não teria espaço para a passagem do bebê.
Existem situações não muito comuns em que um bebê é grande demais para a bacia da mulher, ou então está numa posição que não permite seu encaixe. Não mais que 5% dos partos estariam sujeitos a essa condição. Além disso, tecnicamente é impossível saber se o bebê não vai passar enquanto o trabalho de parto não acontecer, a dilatação chegar ao máximo e o bebê não se encaixar.

Parto Seco
Um parto depois que a bolsa rompeu seria uma tortura de tão doloroso.
A verdade é que depois que a bolsa rompe o líquido amniótico continua a ser produzido, e a cabeça do bebê faz um efeito de "fechar" a saída, de modo que o líquido continua se acumulando no útero. Além disso o colo do útero produz muco continuamente que serve como um lubrificante natural para o parto.

Parto Demorado
Um bebê estaria correndo riscos porque o parto foi/está sendo demorado.
Na verdade o parto nunca é rápido demais ou demorado demais enquanto mãe e bebê estiverem bem, com boas condições vitais, o que é verificado durante o trabalho de parto. Um parto pode demorar 1 hora como pode demorar 3 dias, o mais importante é um bom atendimento por parte da equipe de saúde. O que dá à equipe as pistas sobre o bebê são os batimentos cardíacos. Enquanto eles estiverem num padrão tranquilizador, então o parto está no tempo certo para aquela mulher.

Bebê passou da hora
O bebê teria como uma "data de validade" após a qual ele ficaria doente.
Os bebês costumam nascer com idades gestacionais entre 37 e 42 semanas. Mesmo depois das 42 semanas, se forem feitos todos os exames que comprovem o bem estar fetal, não há motivos para preocupação. O importante é o bom pré-natal. Caso os exames apontem para uma diminuição da vitalidade, a indução do parto pode ser uma ótima alternativa.

Cordão Enrolado
A explicação é de que o bebê iria se enforcar no cordão umbilical.
O cordão umbilical é preenchido por uma gelatina elástica, que dá a ele a capacidade de se adaptar a diferentes formas. O oxigênio vem para o bebê através do cordão direto para a corrente sanguínea. Assim, o bebê não pode sufocar.

Não entrou/não teve trabalho de parto
A idéia aqui é de que a mulher em questão tem uma falha natural que a impede de entrar em trabalho de parto.
A verdade é que toda mulher entra em trabalho de parto, mais cedo ou mais tarde. Ela só não vai entrar em trabalho de parto se a operarem antes disso.

Não tem dilatação no final da gravidez
A explicação é que o médico fez exame de toque com 38/39 semanas e diz que a mulher não vai ter parto porque não tem dilatação nenhuma no final da gravidez.
Tecnicamente uma mulher pode chegar a 42 semanas sem qualquer sinal, sem dilatação, sem contrações fortes, sem perder o tampão e de uma hora para outra entrar em trabalho de parto e dilatar tudo o que é necessário. É impossível predizer como vai ser o parto por exames de toque durante a gravidez.

Placenta envelhecida
A placenta ficaria tão envelhecida que não funcionaria mais e colocaria em risco a vida do bebê.
O exame de ultra-som não consegue avaliar exatamente a qualidade da placenta. A qualidade da placenta isoladamente não tem qualquer significado. Ela só tem significado em conjunto com outros diagnósticos, como a ausência de crescimento do bebê, por exemplo. A maioria das mulheres têm um "envelhecimento" normal e saudável de sua placenta no final da gravidez. Só será considerado anormal uma placenta com envelhecimento precoce, por exemplo, com 30 semanas de gravidez.

Curiosamente, a amamentação também tem uma maravilhosa lista de mitos e lendas, sempre no sentido de diminuir a confiança da mãe em sua capacidade. Se você conhece algum mito interessante do parto ou da amamentação que queira nos contar, nós poderemos incluir neste quadro! Aproveite agora para cuidar de você e do seu bebê. Não deixe que os pessimistas de plantão estraguem esse maravilhoso momento da vida de vocês.

escrito por BARTIRA CARVALHO em 10:24

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

"Bom dia!

Espero que você consiga encontrar um médico como deseja (adepto do parto natural). Essa tarefa é como procurar agulha num palheiro...
E, sendo muito sincera com você, é fundamental a mulher se informar muito sobre tudo no parto pra saber o que realmente quer, mas, considerando o momento e o estágio onde nos encontramos nesse assunto, lá na hora H o médico acaba decidindo as coisas se a mulher informada não tiver quem a apóie!
Pelo menos uma doula, ou um acompanhante de parto que saiba fincar o pé para apoiar as escolhas da parturiente é necessário.

Quando a gente vai parir, por mais que saiba tudo, acaba ficando fragilizada e o médico nessa hora acaba detendo o poder se for um cara não humanista, não adepto do parto natural. A gente, sensibilizada pra caramba na hora, e sem ninguém que nos apóie, acaba baixando a cabeça e se submetendo às coisas que o médico define. Tenha muita atenção para isso!

Com relação à rotina de parir deitada e a vontade de não passar pela episiotomia, bom, não é loucura isso! De jeito algum. É possível. O que é fundamental para parir sem episiotomia e sem laceração grave é que o período expulsivo (isto é, "o momento que o bebê já está no canal de parto - a vagina - e está saindo dali, nascendo efetivamente") seja SUAVE. É muito normal a mulher tomar anestesia (ou não), não saber o tipo de força fazer, se deve ou não fazer força, ficar desesperada, o médico apressado e inseguro, e na hora do expulsivo todo mundo querer que a coisa seja rápida.

Para ser rápido, o médico manda a mulher fazer força quando não precisa (o expulsivo não requer aquela força desesperada, se a mulher estiver numa posição mais vertical, por exemplo, aí é mais fácil ainda) e alguém sobe por cima da barriga da mulher pra apertá-la e o bebê sair logo. Na verdade isso é como uma bomba pro períneo! :-( Por isso fazem episiotomia...

Para você saber, caso já não saiba, o nome desse ato de alguém subir em cima da barriga apertando-a pro bebê nascer logo é a tal Manobra de Kristeller (que eu acho uma violência sem tamanho! Passei por isso e odiei!!!).

Enfim, o que eu queria lhe dizer é que é uma CASCATA de coisas (intervenções) que leva a um parto totalmente alterado, medicalizado e com a mulher com um papel muito secundário... É o hospital que coloca a gente nua, que raspa, que faz lavagem intestinal (o tal enema), é o médico que comanda e apressa, é a anestesia que nos faz ficar meio alienadas do processo, é a ignorância generalizada que faz todo mundo mexer no processo que deveria ser natural, é ficar deitada numa sala estranha com um monte de gente estranha, o medo da gente (e em grande parte das vezes no inconsciente o medo é maior ainda) que bloqueia nosso corpo e o impede de fazer o que deve na hora de parir, e isso tudo acaba geralmente na Manobra de Kristeller e numa a episiotomia – se a mulher conseguir um parto vaginal – ou, indo mais longe um pouco, numa cesariana. (Na verdade, num cenário mais medicalizado ainda, a cesariana pode ser até marcada desnecessariamente sem que a mulher sequer entre em trabalho de parto!)

Para evitar esse tipo de final, a busca da gente deve começar o quanto antes, se possível antes ainda de engravidarmos, no sentido de nos educarmos de forma diferente sobre a gestação e o parto... de mudar nossa forma de pensar sobre isso... E, enquanto na Classe Médica o parto não for visto como um evento natural, da fisiologia da mulher, nossa busca passa pelo fato de encontrar um profissional de saúde que nos apóie, porque de outra forma é muito comum nosso "sonho" de parto, ou "parto dos sonhos", vir por terra.

Conte comigo no que eu puder ajudar... Fique à vontade para conversar o que quiser... Muitas vezes eu não sei as respostas, mas podemos tentar buscá-las!"


(*Nota da Bartira*: esse texto é meu mesmo... Mudei um pouco, mas foi resposta a um email que me chegou de uma mulher grávida querendo ajuda na sua busca... Achei que a resposta ficou interessante e a modifiquei um pouco para que pudesse ser publicada aqui e fazer sentido em termos mais gerais. Acho que traz reflexões para todas nós.)

escrito por BARTIRA CARVALHO em 10:04

Quarta-feira, Agosto 15, 2007

Depoimento da Lila - Parto Humanizado Hospitalar, depois de já ter tido 2 partos vaginais com anestesia, episiotomia...



Tive a feliz surpresa de, ao abrir hoje minha caixa de msgs, encontrar este depoimento da Lila!
A pedido dela, publico-o aqui no blog.

Parabéns, Lila, pela sua busca, pelo seu sucesso, e pelos filhotes!
Bart


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LILA:

"Olá, tenho 35 anos e tive 2 filhos com 23 e 25 anos, através de parto normal, com epísio. Eu não conhecia o parto humanizado, não tinha idéia de que me cortariam, e então acreditei que fosse um procedimento de praxe. Os pontos após o parto doeram bastante, apesar da anestesia local, e depois, sentia muito desconforto durante as relações sexuais, por até 2 anos após cada parto.
Há 3 meses tive meu terceiro filho no delivery room de um hospital. Posso afirmar que a preparação do meu corpo e da minha mente através do Yoga associada às caminhadas, e ainda, às informações dos sites XôEpisio (obrigada Bartira!), Amigas do Parto e do livro Parto Ativo (Janet Balaskas) foram primordiais para o desenrolar perfeito do nascimento do meu terceiro filho.

O Parto: Durante o trabalho de parto, eu caminhei o tempo todo e me agachava durante as contrações. Fiz uso da banheira de hidromassagem e chuveiro. Quando me senti fraca, tive que me deitar, pois estava zonza. Só que as dores eram terríveis na posição horizontal. Então me lembrei da dica do mel. Tomei cerca de 3 colheres de sopa e em 5 minutos estava reanimada. Incrível! Nem parecia que eu estive tão mal minutos antes!
Era madrugada e, de repente, sabia que era “o” momento! A pressão entre as minhas pernas era enorme, eu sentia muita ardência. Coloquei a mão e percebi a cabeça do meu filho. Posicionei-me na cama, pendurei meu corpo na barra que havia sobre a minha cabeça, ficando de cócoras e comecei a fazer força.
Como ardia! Dos outros dois filhos eu não senti nada porque levei anestesia local. Desta vez, foi tudo bem natural. Nada de soro, anestesia e regras, somente o meu instinto ditava a ordem dos acontecimentos. Após alguns gemidos e palavrões, senti a cabeça do meu filho sair de dentro de mim, e depois, o corpinho. Acho que só precisei fazer força cerca de 5 vezes. Foi muito rápido.

Nicolas nasceu da maneira mais humana e natural que posso imaginar, 3 horas depois que cheguei ao hospital. Eram 03:08, ele media 50 cm, pesava 3180g, tinha 2 voltas de cordão umbilical no pescoço habilmente desfeitas no momento do nascimento e 9/10 Apgar. Muita saúde, uma beleza.

O pós-parto: Logo após nascer, o médico colocou-o no meu colo. Meu filho mamou logo que nasceu e ficou comigo por uns 20 minutos. Só então a pediatra veio pesá-lo e medi-lo, tudo dentro do quarto. Ele não foi aspirado, a vitamina K foi administrada oralmente, mas não escapou do nitrato de prata nos olhinhos por ser norma do hospital.
Enquanto eu eliminava a placenta, as outras pessoas trabalhavam na limpeza e organização do quarto, pois eu e o Nico ficaríamos ali até recebermos alta. Em poucos minutos o quarto, que antes parecia uma sala de parto, ficou com aparência de um aconchegante dormitório. Meu Nico ficou o tempo todo comigo. Meu corpo estava trêmulo e exausto, porém menos do que das outras vezes.

As conseqüências do parto: sofri uma pequena ruptura na direção do ânus, muito menor do que uma episiotomia, e as hemorróidas saltaram um pouquinho. Com 3 dias de parto fui ao shopping comprar soutien. Com 1 semana já usava jeans e nem sentia o corte! Com 1 mês e meio perdi os 14kg extras da gravidez e voltei ao meu peso normal, tinha relações sexuais sem o incômodo da cicatriz e a hemorróida já estava normal. Definitivamente, xô epísio, viva o parto humanizado, Amém ao parto ativo!

Nicolas nasceu há 3 meses e é uma bênção. Estamos todos apaixonados por ele. Só há uma palavra que define a sensação de ser mãe, novamente, aos 35 anos: SUBLIME."

escrito por BARTIRA CARVALHO em 17:32

Domingo, Julho 29, 2007

Programa Domingo Espetacular - Parto em Casa


Fonte: YouTube



escrito por BARTIRA CARVALHO em 00:42


Matrice promove encontro no MASP durante a Semana Mundial de Aleitamento Materno – SMAM 2007


Fonte: http://www.partodoprincipio.com.br/conteudo.php?src=matrice&ext=html



Matrice, grupo de apoio à amamentação, promove um encontro para celebrar o tema “Amamentação na Primeira Hora, Proteção sem Demora” no MASP (Museu de Arte de São Paulo) no sábado, dia 4 de agosto, às 9h00hs. A ação faz parte da programação da Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que é coordenada mundialmente pela WABA (Aliança Mundial Pró Aleitamento Materno) e que acontece de 1 a 7 de agosto. Nesta edição da SMAM, os holofotes estarão sobre a importância da amamentação na primeira hora de vida do bebê.

O objetivo do evento é chamar gestantes, mães, maridos, filhos e demais parentes e amigos para uma roda na qual sejam discutidas questões referentes ao tema central do encontro. Pessoas que atuam na área de saúde e na área de assistência ao parto e pós-parto estarão presentes para compartilhar experiências e visões distintas.
A Matrice também promoverá uma série de atividades na ocasião. As crianças serão convidadas a pintarem suas mãos em um mural de tecido,simbolizando um abaixo-assinado, haverá música ao vivo e todos participarão de sorteio de brindes Segundo a WABA, a amamentação na primeira hora é um tema de extrema relevância social, já que a ação estimula a produção do leite, a contração do útero (reduzindo o risco de sangramento intenso) e a eliminação do mecônio (primeira evacuação do bebê). Nessa primeira hora de vida, o reflexo de sucção do bebê é mais forte e eficaz e contribui para estabelecer uma “pega” apropriada.

“Além disso, amamentar o bebê na primeira hora é um grande passo, que garante uma relação de amamentação de sucesso e a proteção imunológica de que o bebê necessita assim que nasce”, explica Fabiola Cassab, uma das fundadoras da Matrice. “Isso evita doenças como poliomielite, o virus Coxsakie do gênero dos Enterovírus, a E. Coli patogência, as Salmonelas e as Shigellas”, completa.

Para Analy Uriarte, outra fundadora da Matrice, existem ainda outras indicações para a amamentação logo que o bebê nasce: o forte vínculo emocional que se cria entre mãe e bebê. “Mesmo que o bebê nasça de uma cesariana, ele pode ir para o colo da mãe, receber seu calor, seu amor, sentir sua pele”, avalia. “Mamar suaviza sua entrada neste mundo tão diferente do útero. No colo da mãe, o coração do bebê se acalma, sua temperatura se estabiliza e sua respiração encontra um ritmo adequado, benefícios que nenhum berço aquecido consegue imitar”, finaliza.

De acordo com a recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde), todas as rotinas com o bebê, tais como lavá-lo, pesá-lo, ministrar-lhe injeções e colírios, devem ser evitadas até o bebê mamar ou pelo menos durante a primeira hora de nascimento.

Segundo Tereza S. Toma, pesquisadora do Instituto de Saúde/SES-SP e membro da IBFAN Brasil, a Meta de Desenvolvimento do Milênio 4 é reduzir em dois terços a mortalidade de crianças menores de cinco anos até 2015. Dados mundiais apontam que entre as 10.9 milhões de mortes de menores de cinco anos de idade, 4 milhões ocorrem durante o primeiro mês de vida. “Estudos recentes apontaram que, se todas as mulheres iniciassem a amamentação na primeira hora, um milhão, ou seja, um quarto das mortes de recém-nascidos poderia ser evitada”, alerta Ana Basaglia, outra fundadora da Matrice.

A ação da Matrice conta com o apoio do Gama, do Ibfan, do Senac, entre muitas outras empresas.

Serviço:
Comemoração da SMAM2007 com a ação “Amamentando no Masp”

Local: vão livre do MASP (Av. Paulista, 1578 - São Paulo – SP/ tel. (11) 3251.5644 / Fax. (11) 3284.0574)

Dia: Sábado, 4 de Agosto

Horário: das 9h às 12h

Programação:
Abaixo-assinado das crianças com Hora da Primeira Mamada.
Roda de conversas com várias atividades como histórias e depoimentos de mães e profissionais.
Parabéns para nossa representante da primeira hora com apresentação musical e bolo.

Telefones para mais informações:
Fabíola Cassab (11) 9622 3737
Ana Keunecke (11) 9200.1258/3611.3865

Apoio para a imprensa:
Sabrina Feldman (11) 7730-8532
http://www.matrice.wordpress.com


escrito por BARTIRA CARVALHO em 00:16

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Parto em casa, pelo PAI


Extraído de PAI DE MENINA (http://paidemenina.blogspot.com/2006_09_01_paidemenina_archive.html), publicado pelo FELIPE, em 13 de Setembro de 2006.


(Dani e Dorinha)

"Só para lembrar: não existe criança grande demais que não permita parto normal. Parto normal não é causador de problemas para mãe nem para o bebê.
O mesmo vale para a cruel episiotomia. Médicos (as) cortam mulheres para facilitar o próprio trabalho e não para beneficiar mãe e bebê.

Evidentemente, existem situações extremas na qual o parto forçado (cesárea) é útil, mas não faz sentido caso o bebê tenha sido monitorado ao longo de toda a gravidez e tiver apresentado boa saúde.

Curiosamente, a maior parte dos médicos que sugerem o procedimento apontam para as mães supostos problemas de última hora. Até alegar o que o bebê tem unhas grandes ou está bebendo xixi na bolsa é dito as mães, como se isso não fosse algo normal.

Tem também a máfia da "bolsa rompida". Gente, o bebê e a mãe podem ficar até 12 horas em trabalho de parto após o rompimento da bolsa, sem risco nenhum.

Com nossa primeira filha fomos ingênuos e acreditamos que mesmo com uma equipe de cirurgião plástico e anestesista a postos, o médico faria uma parto normal. Fomos enganados. Assisti ao parto, por exigência da Dani e cortei o cordão umbilical. Sacanamente, o médico me disse a mentira mais comum nessa hora "Viu, o cordão estava enrolado no pescoço". Minutos depois do parto, me chamou num canto e pediu os acertos para os auxiliares. O dele poderíamos acertar depois. Um pai nessa hora, emocionado e louco para ficar perto da mulher e do filho faz qualquer coisa. E os médicos sabem disso. Triste. Muito triste.

Em janeiro de 2006, o nascimento da Dora, nossa segunda filha, foi em casa, em paz, sem luzes feéricas ou o clima artificial de hotel cinco estrelas da Maternidade Perinatal, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, onde nasceu nossa filha mais velha.

É uma pena que a medicalização do parto tenha resultado numa certa inversão de valores.

Os planos de saúde reembolsam R$ 400 por parto para os médicos, não importando se é cesárea ou normal.

Vocês acham que os médicos vão escolher o quê?

Ficar horas (a maioria nem leva tanto tempo) esperando o expulsivo ou marcar hora para poder triplicar seus rendimentos por dia (um obstetra faz em média três cesáreas com hora marcada por dia).

Assim, a maioria da cesáreas ocorre em pacientes de classe média alta, nos planos superiores dos seguros de saúde. Justamente aqueles que pagam as internações em maternidades luxuosas...

Mas com o tempo e mais informação disponível, os pais poderão questionar mais os médicos durante o pré-natal, inclusive pedindo os prontuários de acompanhamento médico que justifiquem uma cesárea.

Nós decidimos que o nascimento de Dora seria em casa. No finalzinho da gravidez começamos a freqüentar o GAMA, um grupo de mulheres e mães, algumas profissionais da área da saúde, dedicadas a ensinar a mulher a resgatar o próprio corpo. Um trabalho belíssimo que merece todo o apoio que for possível dar. Nos encontros, outras mães e pais relatavam suas experiências com partos humanizados. Bonito de ouvir e bacana ver as pessoas se ajudando numa cidade gigante como São Paulo. Uma das questões que afligiam os casais era o fato dos planos de saúde não bancarem partos domiciliares. Para estes casos, a melhor opção é fazer uma poupança, assegurando os valores para cobrir os custos.

O médico escolhido por Dani providenciou toda a informação para que pudéssemos nos preparar para a chegada do bebê em casa. Detalhou o procedimento, indicou os exercícios e nos explicou a importância do plano de parto.

Barriga crescendo, os meses passando e muita gente surpresa ao descobrir nossa escolha. As pessoas imaginam um parto em casa como as cenas do antigo seriado Daniel Boone, com tinas de água fumegante, e tocos de madeira para morder (se bem que estes são substituídos pelos pobres braços da doulas na hora da dor).

Para quem não sabe, o parto domiciliar é feito com acompanhamento do obstetra, que trás os equipamentos necessários em caso de emergência. Também é feito um plano de parto, para que possa ser feita uma remoção para um hospital em caso extremo de risco de morte para o bebê e parturiente (o que é raríssimo).

O procedimento em algumas ocasiões é realizado por parteiras. Infelizmente cada vez menos mulheres abraçam essa ocupação tão bonita, que já ajudou a vir ao mundo tanta gente bacana.

É bom ter uma doula para o acompanhamento das necessidades da parturiente. Ajuda pra caramba, das massagens ao chazinho na hora difícil. Encoraja e ampara, num estilo "Lojas Marisa" (de mulher, pra mulher...Marisa, lembram?) deixando os maridos plenos para prover suporte emocional. Gosto de lembrar que doulas não fazem intervenções médicas, mas se um "bebê quiabo" chegar, daqueles que saem sem dor, elas podem segurar.

Em casa basta ter um espaço tranqüilo, arejado, asseado e repleto de amor.


(Felipe e Dani)

Os futuros pais ficariam assustadas com os índices de infecção hospitalar nas maternidades. Nem mesmo as conceituadas escapam. Falarei sobre isso em outra ocasião. Em casa não existe risco de infecção hospitalar.

Iniciado o trabalho de parto, estar em casa faz com que a mulher fique mais tranqüila, pois não é preciso alterar a rotina e você estará no ambiente que mais gosta, que ajudou a criar. Para não assustar os amados pais com nossa decisão, Dani manteve segredo e importou uma tia do Rio. Sua presença ajudou a trazer tranqüilidade nas horas difíceis. E foram muitas, longas e exaustivas. Repletas de dor.

A vibe de estar entre os queridos também é boa demais. No hospital são tantos partos por dia que é impossível existir uma completa entrega das pessoas que trabalham ali. Tudo é pasteurizado e automático. A competência existe, mas falta carinho e atenção.

Em tempo: nada de toalhas quentes, como assistimos nos filmes. Precisa é de chuveiro bom, pois as dores são fortes pra cacete e não dá para a mulher não gritar. Ah, é bom avisar os vizinhos, se for morar em prédio. Nós esquecemos de avisar, daí já imaginou as especulações sobre a gritaria intermitente madrugada adentro...

Voltando: na madrugada do dia 14 para o dia 15, a bolsa estourou. Bebê mesmo, somente as cinco da manhã do dia 16 de fevereiro de 2006. Na manhã do dia 15 fomos a um hospital fazer a última cardiotoco (mede os batimentos do bebê e atesta que está tudo tranquilo, mesmo com a bolsa rompida), e as enfermeiras não acreditando que o parto seria em casa, desdenhavam, dizendo que Dani deveria ficar internada. Só uma das enfermeiras, uma simpática chilena fã de nosso médico, entendeu a beleza daquele momento.

O expulsivo é rápido e emocionante, mas esteticamente pode assustar alguns. Minha filha, na época com quatro anos, acordou as 4:00 da manhã para assistir tudo. Curtiu pra caramba. Parecia que ela tinha acabado de nascer também, pois estava peladinha, segurando o relógio para marcar a hora do nascimento da irmã.

A futura mãe usa um banquinho para ajudar na expulsão, ficando apoiada de cócoras. Muito mais fácil para sair o bebê. Dani não quis ver a cabecinha saindo. Eu vi.

No hospital te obrigam a ficar deitada, mesmo com muita dor. Nos momentos finais do parto, dificilmente um hospital ou maternidade deixa as pessoas mais queridas ficarem próximas. Algumas maternidades já possuem salas de parto, pagas a parte, onde é possível fazer procedimentos semelhantes.

Em casa outros recursos, como caminhar abraçado em movimentos de quadril ou usar a bola suíça ajudam pra caramba e tirando as contrações, podem ajudar a descontrair.

Rola muito sangue, por isso usamos lençóis descartáveis e é bom forrar o colchão com algo impermeável. Na correria, quando a bolsa estourou eu forrei a cama toda com o conteúdo do primeiro pacote que encontrei. Eram fraldas para o bebê.

Não precisa aspirar nada. O próprio aperto do expulsivo prepara os pulmõeszinhos para receber as primeiras doses ar atmosférico da vida do bebê e tira o muco que veio da vida uterina. É tudo automático e programado em nosso código genético. Quanto menos interferência, melhor.

Após o nascimento (e depois do mais uma vez eu cortar o cordão umbilical) o bebê foi logo para a mãe. Começa a mamar e fica ali, sujinho, bem ao lado dela. Amamentar é importante pois contrai o útero, facilitando a saída da placenta, que é removida completamente com ajuda do médico. Ele guarda o material para análise de laboratório.

Só te digo que chorei pra caramba, é emocionante demais. É ver a vida chegar num ambiente de paz, sem a mercantilização do nascimento. O choro, a respiração...Nossa, nem sei contar, só vendo.

Dani ficou bem fraca com a perda de sangue e o esforço, chegou a virar o olho. Me assustei, liguei para o médico e a doula, mas fui tranquilizado. No dia seguinte ela estava nova.

Se quiser, pode chamar um pediatra, mas não é necessário. Ele pode ver o bebê no dia seguinte.
É bom para quem é iniciante, pois é a hora de aprender a limpar o bebê, e entender as primeiras reações.

O médico deixará com você uma guia para ser preenchida e levada ao cartório atestando que o bebê nasceu de parto domiciliar assistido. Tive dificuldades para registrar, pois a indústria da medicalização do parto atrapalhou até nisso. No momento mais bonito da sua vida, suspeitam que você seqüestrou o recém-nascido. Tive que brigar. Nas maternidades montam até filiais de cartórios para registro.

Pesando tudo, planejar um parto domiciliar é fantástico. Uma família unida em torno de uma idéia, de um direito de minha mulher. A pequena Dora está uma bagunceira saudável, como vocês acompanham no blog e eu sou um cara realizado por ter ajudado minha mulher a vencer a barreira fictícia da impossibilidade do parto normal.

O importante é deixar registrado que mesmo uma mulher que tenha feito uma cesárea pode tentar o parto natural numa segunda gestação.

Quem faz o parto não é o médico. É a mulher. O parto é dela e todas as suas sensações e pedidos devem ser respeitados nessa hora. O hospital roubou da mulher o
direito a ter controle e decisões sobre o final da sua gestação. Daí hoje sabermos (ou sentirmos) tão pouco o que acontece dentro das nossas amadas.

Sei que faltou alguma coisa, não consigo lembrar de tudo. Assim, me autorizo a alterar este post se lembrar de mais detalhes."

escrito por BARTIRA CARVALHO em 00:18

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Novos caminhos para a humanização do parto


Humanizar o nascimento é respeitar e criar condições para atender as dimensões psicológicas, biológicas e sociais da parturiente.

Por: Renata Silveira - Em: www.hebron.com.br

O parto é um processo natural, o início de uma transformação. Nossa cultura descreve a hora do nascimento de um filho como sendo uma dor insuportável, esquecendo que o parto normal apresenta uma relação mais estreita com a natureza. Os processos musculares de contração das paredes vaginais e dilatação do colo uterino, os movimentos do bebê e as sensações fortes, são interpretadas como dor, porém, esse "processo doloroso" pode se tornar maior quando vem acompanhado de medo e insegurança.

Os números das cesáreas estão crescendo em passo acelerado. A Organização Mundial de Saúde recomenda que as taxas de cirurgias cesarianas não devam ultrapassar 15%. Na maioria dos estabelecimentos hospitalares privados, a média de cesáreas fica em torno de 80%. Entretanto, esse não é um fato generalizado. Alguns hospitais estão investindo em instalações para o parto normal, e com isso, os números de cesarianas estão sendo reduzidos. Investem em salas especiais de pré-parto e quartos Labor Delivery Room (LDR), espaço com hidromassagem, cores escolhidas de acordo com a cromoterapia, espaço para caminhadas, a fim de facilitar o trabalho de parto, e música ambiente a gosto da paciente.


Governo incentiva o parto normal

O Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional de incentivo ao parto normal e redução das cesáreas. De acordo com dados de 2004, do Sistema de Nascidos Vivos (Sinasc), 41,8% dos partos realizados em todo o Brasil foram cirúrgicos. A campanha atinge todo o país. Cerca de 90 mil cartazes e 3 milhões de folderes sobre os benefícios do parto humanizado estão sendo distribuídos para mulheres grávidas e profissionais dos serviços de saúde públicos e privados, que atendem gestantes e realizam partos.

Recentemente, foi garantido em lei e regulamentado pelo Ministério da Saúde o direito da mulher, em trabalho de parto e pós-parto, ter um acompanhante na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). "O parto normal pode ser uma experiência enriquecedora para a mulher e sua família se atendido de forma humanizada, com fundamentação em evidências científicas e sem intervenções desnecessárias. As cesáreas aumentam os riscos de morte, lesões acidentais, reações à anestesia, infecções e hemorragias das usuárias, prematuridade e desconforto respiratório dos bebês", afirma a diretora do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Cristina Boaretto.


Parto Humanizado

A bióloga Bartira Carvalho, 29 anos, nasceu de parto normal e sempre quis ter um filho da mesma forma. Tem uma filha de 4 anos e durante sua gestação mudou algumas vezes de médico, buscando um adepto ao parto normal. Leu bastante para se informar. Conheceu o site www.amigasdoparto.com.br e acabou tendo um parto normal, hospitalar, com algumas intervenções, mas de acordo com o que a agradava. "Foi um parto bom e fácil. Passado um ano do nascimento de minha filha, voltei a ler sobre o assunto. Conheci mais pessoas e fui me apaixonando pela causa, enxergando o quão importante ela é", afirma.

Em 2004, começou a escrever nos blogs www.partohumanizado.blogger.com.br e no www.xoepisio.blogger.com.br e a trabalhar voluntariamente ajudando outras mulheres que desejam mais informações para tomar decisões sobre seu parto. Bartira não é radicalmente contra a tecnologia, trabalha, inclusive, com informática há mais de 10 anos, porém, enxerga a gravidez como um evento fisiológico, natural do corpo da mulher, sendo o parto seu ápice. "A mulher, estando saudável e tendo o acompanhamento necessário à sua gestação, verá que é tudo muito simples. O parto em si, em condições normais, não exige tecnologia" diz.

Categórica, a bióloga acredita que o elevado índice de cesáreas no Brasil é atribuído a desinformação das mulheres (que acreditam que uma cesariana é menos complicada que um parto normal). Em escala maior, o papel da mulher tem mudado negativamente com o passar das décadas. "Acho que a medicalização do parto tem relação com um tema maior e mais complexo, que é o desempoderamento da mulher e a desconexão com seu próprio corpo. Informação é a palavra-chave nesse tema. Mulheres bem informadas, usando a medicina baseada em evidências, podem saber o que será melhor para seu corpo e seu filho" afirma.


Tipos de Parto

Não existe um tipo de parto ideal para todas as mulheres, e sim variáveis de escolha. A gestante precisa de um bom pré-natal, porque nesse período tira todas as dúvidas sobre a gestação e o parto. Existem diferentes tipos de parto, porém, é bom destacar que alguns motivos, como o preparo psicológico e expectativas da mulher, do companheiro, da família, saúde materna e fetal, devem ser pensados, para que a decisão seja acertada.

Abaixo segue informações sobre diferentes tipos de parto:


Normal (vaginal)

É dividido entre parto vaginal normal e cirúrgico. Para o parto normal a mulher deve ser preparada durante o pré-natal. Esse processo necessita de uma grande participação da gestante. Já o parto normal cirúrgico acontece quando a mãe está cansada ou a criança se encontra em posição difícil para sua saída. Nesse caso, o médico faz um corte em um dos lados da vagina. Apesar da intervenção, o parto é considerado normal.

O parto normal possui algumas variantes, tais como:

*Parto de cócoras: é realizado da mesma forma do natural, apenas muda a posição da mãe, que, em vez de ficar na posição ginecológica mais utilizada, sustenta-se de cócoras. O parto é mais rápido por ser auxiliado pela força da gravidade, também é cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê, pois não existe a compressão de importantes vasos sanguíneos, o que acontece com a mulher deitada de costas. As vantagens começam com a participação do pai, a ausência de métodos invasivos para o alívio da dor, a liberdade de movimento que a mulher vai ter no momento do nascimento do seu filho e sua recuperação imediata. Lembrando que o parto de cócoras apenas deve ser realizado se o feto estiver na posição cefálica (com a cabeça para baixo).

*Parto na água: é uma modalidade de nascimento onde a mulher fica dentro da água durante o trabalho de parto e o bebê chega ao mundo no meio aquático, como estava no útero. A água deve está aquecida a 36°C e o pai ou acompanhante pode entrar na banheira com a futura mamãe. Os nascimentos costumam ser suaves e calmos.

*Parto domiciliar: é realizado no lar da parturiente, de forma natural, com a presença de profissional capacitado acompanhando o processo. Vantagens como desfrutar da atmosfera tranqüila do próprio lar é a principal causa para a escolha dessa forma de parto.


Cesário

Tem a finalidade de extrair o feto do ventre materno por meio cirúrgico. Apesar da larga incidência, só deveria ser realizado em situações de risco para mãe ou bebê. O médico necessita fazer um corte de 8 a 12 cm na região acima do púbis para o nascimento da criança. É indicado em casos como bebê macrossômico (muito grande e pesado), prolapso de cordão, descolamento prematuro de placenta, placenta prévia, sofrimento fetal e em casos de doenças maternas, como eclampsia, herpes genital, e HIV (a transmissão para o feto diminui quando se faz parto cesário). Também é recomendado nos casos de cirurgias ginecológicas prévias e gestação gemelar, quando o útero fica muito distendido, pois pode ocorrer ruptura da cicatriz por ocasião da expulsão fetal. Após duas ou mais cesáreas deve-se repetir a via cirúrgica. Em casos atípicos, como feto córmico, quando o feto está em situação transversa (deitado) e não existe possibilidade de nascimento e em malformações fetais.


Parto do Princípio

O site "Parto do Princípio" (www.partodoprincipio.com.br) vem tendo uma repercussão bastante interessante perante a sociedade. Divulga informações sobre humanização do nascimento, orientando mulheres nesse tema e assuntos correlatos. A rede pela maternidade ativa, em breve, deverá se tornar uma ONG. Este canal de informação e apoio às gestantes que desejam ter um parto normal ativo, conta com várias voluntárias. São mães, em sua maioria, que tiveram tanto experiências positivas quanto negativas nos partos, contribuindo com o apoio coletivo e divulgação de informações para outras mulheres, que como elas, buscam um parto mais saudável.

Ingrid Lotfi, 29 anos, é co-fundadora da "Parto do Princípio" e luta para as mulheres terem apoio na hora da escolha pelo parto normal. "A cultura de que o parto é um evento perigoso, imprevisível e sofrido é difundido por décadas. Com isso, tanto os obstetras quanto as mulheres, acabam sucumbindo à cirurgia eletiva, alienando-se de todo o processo, que seria mais seguro e enriquecedor, tanto para a mulher quanto para o bebê. É preciso que as mulheres percebam os benefícios do parto normal e tornem-se participantes das decisões. Dessa forma, naturalmente, surgirão mais profissionais atuantes dentro dessa perspectiva onde a mulher resgata o protagonismo no nascimento do filho", destaca.
Doulas

Mulheres que dão suporte físico e emocional a outras antes, durante e após o parto, são chamadas "doulas", palavra que, em grego, significa mulher que serve. Antes, as mulheres que acompanhavam os partos eram as mães, irmãs, vizinhas, ou mulheres que já tinham filhos. Com o passar dos anos, o parto foi passado para o domínio médico. Dentro do cenário hospitalar cada profissional está preocupado com os aspectos técnicos de sua função. E quem cuida do bem estar físico e emocional da mãe que está dando a luz? Esse espaço é preenchido pela "doula", ou acompanhante do parto, que se encarrega de suprir a demanda por emoção e afeto. Antes do parto, ela orienta o casal sobre o que esperar do processo e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente. Durante o parto, a doula explica os complicados termos médicos e ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto, apresentando formas eficientes de respiração e propondo medidas naturais, que podem suavizar as dores, como banhos, massagens, relaxamento etc. Após o parto, ela faz visitas, oferecendo apoio em relação à amamentação e cuidados com o bebê.

Pesquisas internacionais mostram que a atuação da doula diminui em 50% as taxas de cesárea, 20% a duração do trabalho de parto, 60% os pedidos de anestesia, 40% o uso de oxitocina e 40% o uso de fórceps.

Ana Cristina Duarte é doula. Tem 2 filhos, sendo o primeiro nascido de cesárea e o segundo de parto normal. "Durante a primeira gestação não procurei informações suficientes e acabei sendo atendida no pré-natal e no parto por um médico que só fazia cesáreas". No segundo filho conseguiu ter parto normal. "Fiquei em trabalho de parto por mais de 12 horas, confinada e sozinha, sem entender o que estava acontecendo ao meu redor e com meu corpo. Mas, o parto em si, foi uma grande alegria, pois pude resgatar a minha feminilidade e auto-confiança", afirma.

Ana acredita que a ajuda de uma doula poderia ter mudado o tratamento que teve no hospital. Seu bebê poderia ter nascido em melhores condições, ela poderia ter se sentido mais segura e menos assustada. Mas não conhecia esse trabalho. Depois do parto normal começou a pesquisar em busca de informações sobre o assunto e conheceu vários profissionais atuantes dentro de um novo modelo de obstetrícia centrada na mulher. Juntou-se a outras mães e montou o site Amigas do Parto (www.amigasdoparto.com.br), visando oferecer informações de qualidade a gestantes e profissionais da assistência obstétrica.


Indução do parto

A obstetrícia e ginecologia vivenciam o crescente uso do misoprostol na indução do parto e seu papel potencial na redução de cesáreas. O misoprostol é um análogo sintético da prostaglandina e, como tal, aumenta o tônus uterino, favorece o desenvolvimento de contrações e causa o amolecimento do colo do útero, facilitando a dilatação necessária à realização de métodos obstétricos.

No Brasil, a utilidade do medicamento em obstetrícia é superior a de outras prostaglandinas, por causa da sua eficácia, facilidade de uso e baixo custo. O uso do misoprostol além de ser recomendado na indução do parto, também é indicado para o amadurecimento do colo do útero.
Humanizar o parto é dar liberdade de opções à mulher, proporcionar um atendimento focado em suas necessidades, e não em crenças e mitos. O médico deve mostrar todas as opções de escolha, baseado no pré-natal e desenvolvimento fetal, e acompanhar essas escolhas, interferindo o mínimo possível.

escrito por BARTIRA CARVALHO em 21:59

Quinta-feira, Setembro 07, 2006

Caminhando para o Parto Natural: Movimente-se!




*Produzido pela JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), o pôster (reproduzido acima) traz posições que ajudam a trazer alívio para as dores e segurança emocional...*
(Nota da Bart: copiei do Blog do Felipe: Pai de Menina - mto bom blog, aliás!)

escrito por BARTIRA CARVALHO em 22:15

Domingo, Setembro 03, 2006

Curso Nacional de Capacitação de Doulas da ANDO

Porto Alegre, RS


Data e horário:
29 de setembro a 2 de outubro de 2006 (sexta, sábado, domingo e segunda). No domingo teremos o horário reduzido em função das eleições.

Local:
Microvita - Rua Dr. Mário Totta, 382 Tristeza - Porto Alegre / RS - www.microvita.com.br

Carga horária:
32 horas (teórico/prático)

Investimento:
R$ 490,00 ou 2x R$ 250,00 (entrada e cheque para 15 dias)
Nota: em caso de desistência, não há devolução, podendo-se transferir para outra data ou pessoa.

Equipe Docente (no mínimo de 3 a 4 palestrantes por curso):

a. Lucía Caldeyro: Pedagoga, Educadora Perinatal com orientação psicodramátca e Transpessoal, Doula há 20 anos, vice-presidente da ANDO-Associação Nacional de Doulas, membro da DONA, Doulas of North América onde realizou cursos de Capacitação de doulas e Doula Trainer entre outros. Membro fundadora da ReHuNa.

b. Neusa Berlese Oliveira Jones: Enfermeira obstetra, doula capacitada pela DONA, Doulas of North America;membro do Conselho Deliberativo da ANDO.

c. Cristina Balzano Guimarães: Fisioterapeuta, Cromoterapeuta, professora de Yoga, Doula, capacitada pela Dona, (Doulas of North América), Membro fundador e integrante da diretoria da ANDO. Membro da ReHuNa.

d. Ricardo Hebert Jones: Obstetra Homeopata, Membro da Rehuna, Coalition for Improving Maternity Services - CIMS

Apoio:
» ANDO (Associação Nacional de Doulas)

Comissão Organizadora:
Fabiana Panassol
Larissa Grandi
Maria José Goulart

Atenção:
O curso só acontecerá nas datas programadas se tiver a quantidade mínima de participantes que o viabilize. A organização se dá o direito de transferí-lo ou mesmo cancelá-lo sem ônus para nenhuma das partes.

Outras informações:
Porto Alegre: (51) 9986 7488
Campinas: (19) 3251 8137

escrito por BARTIRA CARVALHO em 20:53

Sábado, Agosto 26, 2006

Contato comigo para pedido de AJUDA...


Agradeço a todos que visitam nosso blog e deixam mensagens de apoio!!!

Ficamos felizes em ver tanta gente a favor da humanização do nascimento e que cada vez mais as mulheres buscam informações para parirem da forma que desejarem!!!
Aos profissionais da área que também já seguem uma linha humanista, e de vez em quando aparecem por aqui, nossas congratulações!

Como não temos tido tempo de monitorar diariamente os recados deixados, caso alguma gestante, ou familiar de, precise de alguma informação ou ajuda mais urgente, por favor envie EMAIL diretamente para mim, Bartira, em bartira.carvalho@globo.com.

Abraços,
Bartira
http://www.partohumanizado.blogger.com.br
http://www.xoepisio.blogger.com.br

escrito por BARTIRA CARVALHO em 20:34

Segunda-feira, Julho 24, 2006

A REHUNA veste a camisa e promove no Rio oficina para divulgação e adesão à Campanha pelo Parto Natural do MS , divulgação da Lei do Acompanhante e redução das cesáreas desnecessárias.
Divulgue para seus amigos....

REHUNA & VOCÊ
PARTO NATURAL COM ACOMPANHANTE, DIREITO DE TODA MULHER.


Oficina com Naoli Vinaver

Um olhar subjetivo para práticas na atenção ao parto e ao nascimento

Esta oficina será centrada nos temas práticos do atendimento ao parto e nascimento. Retomaremos diversos pontos na obstetrícia, oferecendo possíveis soluções às dificuldades que se apresentam e que podem modificar radicalmente o desenvolvimento e acompanhamento do processo do parto e nascimento.

Data: 12 de Agosto de 2006 Horário - 9:30hs às 16:30hs
Local: Faculdade de Enfermagem - Uerj
Av. 28 de setembro, 157 - sala 801
Vila Isabel - Rio de Janeiro - RJ

Inscrições até 10/08/06 pelo telefone 21 2210-0297
Investimento: R$ 70,00 (50% de desc. para filiados à ReHuNa com anuidade em dia)

**Vagas limitadas!!**

ReHuNa
Rede pela Humanização do parto e Nascimento
Av: Presidente Vargas, 633 sl. 1403
Centro - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 20071-004 - Tel/fax: (21) 2210-0297

escrito por BARTIRA CARVALHO em 20:53

Domingo, Julho 16, 2006

Mudança de hábito


Fonte:http://www.unifesp.br/comunicacao/sp/ed07/reports1.htm - Por Kátia Stringueto.

Muitas mulheres nem sabem o nome dessa cirurgia, mesmo quando a ela foram submetidas. Trata-se da episiotomia, corte feito no parto normal para apressar o nascimento do bebê. Acontece que esse procedimento, quase sempre, é desnecessário.

Praticada em cerca de 80% dos partos, quando o ideal seria em 20%, a incisão está na mira das autoridades de saúde desde que a Medicina Baseada em Evidências provou que, na maioria dos casos, não protege nem a mãe nem o bebê. Ao contrário, seria responsável por um número maior de infecções pós-operatórias, hemorragias e até rebaixamento da bexiga.

Esse último seria um dos fatores que levam à incontinência urinária na maturidade e ocorre porque o obstetra dificilmente consegue recompor a região pélvica como antes. É mais um motivo para acabar com o vício da episiotomia.

Todo mundo sabe o quanto é difícil sair da rotina. Mesmo que seja para melhor. Em se tratando de medicina, a mudança de paradigmas é ainda mais complicada quando enfrenta a resistência dos próprios médicos.

E a episiotomia, introduzida na obstetrícia em 1742, entra como um desses hábitos duros de mudar. A incisão no períneo, grupo de músculos que vai da vagina ao ânus, seria uma forma de ampliar a abertura vaginal facilitando a saída do bebê durante o parto normal. Há até uma intenção nobre nesse procedimento. O corte, controlado, poderia ser bem suturado recompondo a musculatura local e evitando uma laceração brusca, irregular e, portanto, de difícil correção.

Parecia bom, mas a prática não comprovou a teoria e estudos recentes apontam um aumento no risco de trauma, infecções, hematoma e dor, além de maior tendência à incontinência urinária entre as parturientes que passaram pela cirurgia. "Não existe o efeito protetor que todos imaginávamos. Não é porque se fez episiotomia que a mulher não ficará com a vagina dilatada ou com a bexiga baixa", diz Eduardo de Souza, chefe do centro obstétrico do Hospital São Paulo.

Diante desses resultados, a tendência mundial é restringir o uso da episiotomia. No Brasil, uma campanha nesse sentido começou no ano passado. Há dois benefícios relevantes: primeiro, não se faz o corte na mulher (que implica uso de anestesia e risco de infecção), e, segundo, mantém-se a musculatura perineal íntegra, já que nem sempre o obstetra consegue recompor o assoalho pélvico como antes, o que pode facilitar o afrouxamento da região e rebaixamento da bexiga, levando à incontinência urinária.

Curioso é que, mesmo com todas essas vantagens, a maioria dos obstetras ainda realiza o procedimento como quem cumpre um ritual. Basta o parto demorar um pouco e pronto. Falta paciência e, pior, falta esclarecimento.

"A postura moderna é que se use a episiotomia seletiva, quando o bebê é muito grande e está forçando a região do períneo, por exemplo. Ou quando a musculatura da mulher é muito rígida. Nesse caso, uma rutura no local poderia ser tão extensa que chegaria até o ânus", esclarece Eduardo de Souza.

A inexperiência poderia até justificar que se fizesse a episiotomia antes de se ter certeza de que a musculatura perineal não vai suportar a passagem do bebê.
Não é bem o caso. A maior resistência à mudança de rotina obstétrica vêm dos médicos mais antigos. Às vezes, por uma questão de puro vício.
"Lembro de uma médica que pedia para que lhe segurassem as mãos a fim de evitar que praticasse a episio, como também é conhecida no meio médico", disse a antropóloga americana Robbie Davis-Floyd em visita à São Paulo à convite do Distrito de Saúde de Campo Limpo da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

A antropóloga informou que nos Estados Unidos, apesar de estar em queda, a operação ainda ocorre em 80% a 90% dos partos normais de primíparas (grávidas do primeiro filho). No Hospital São Paulo o índice é um pouco inferior: 70%. Mas ainda muito acima do desejável quando se sabe que cerca de 20% a 30% dos partos normais necessitam de episiotomia.


NORMA SEM SENTIDO

O quadro é semelhante a outro hospital conveniado ao Complexo Unifesp/SPDM, o Hospital Estadual de Diadema. Lá, de cada sete partos normais realizados por dia, cerca de cinco incluem o procedimento.

Já é um avanço quando se lembra que antigamente fazia-se episiotomia em todas as mulheres. "Era uma norma sem sentido", diz o obstetra Levon Badiglian Filho, plantonista. "O médico ainda faz a incisão meio que no piloto automático para ajudar a criança a nascer mais rápido. Mas fazer nascer mais rápido não significa fazer nascer melhor."

É essa consciência que se espera do médico. Abreviar o parto quando necessário, se o bebê está em sofrimento. Mas manter a integridade do corpo da mulher sempre que possível. O abuso da episiotomia remete a outra questão importante: como o parto é conduzido. Dar à luz na posição inclinada - e não deitada - facilita o nascimento e diminui a episio. Quanto ao medo de lesões, vale saber: "As lesões que se pode causar à mulher ao cortar-se o músculo perineal, entre a vagina e o ânus, são piores do que as pequenas lacerações", diz a enfermeira obstetra Ana Cristina d'Andretta Tanaka, do Departamento de Saúde Materno Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP. Pela experiência de atendimento no Hospital de Itapecerica da Serra, em São Paulo, a enfermeira observou que 50% dos partos normais acabam não tendo laceração alguma.

"Na outra metade, a maior parte sofreu lacerações superficiais, de primeiro e segundo grau. Rupturas de terceiro grau, que são um pouco mais profundas, aconteceram em 5% das parturientes, enquanto que nenhuma apresentou laceração grave", conta.

escrito por BARTIRA CARVALHO em 21:47

Quinta-feira, Junho 01, 2006

Campanha Nacional de Incentivo ao Parto Normal e Redução da Cesárea Desnecessária


Fonte: 27-05-2006 13:05:40 - Da Redação: Fonte - Agência Saúde - http://www.informesergipe.com.br/pagina.php?sec=10&&rec=13588.

O Ministério da Saúde lança na próxima terça-feira (30), a campanha nacional de incentivo ao parto normal e redução da cesárea desnecessária. De acordo com os dados de 2004 do Sistema de Nascidos Vivos (Sinasc) do ministério 41,8% dos partos realizados em todo o Brasil foram cirúrgicos.

Com a deflagração da campanha, entre outras ações, o ministério celebra o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, comemorados no domingo.

A campanha atingirá todo o país. Cerca de 90 mil cartazes e de 3 milhões de fôlderes sobre os benefícios do parto humanizado serão distribuídos, prioritariamente, para mulheres grávidas e profissionais dos serviços de saúde públicos e privados que atendem gestantes e realizam partos. Trata-se de mais uma medida de qualificação do atendimento de mulheres no Sistema Único de Saúde (SUS). O direito da mulher em trabalho de parto e pós-parto à acompanhante na rede SUS, recentemente garantido em lei e regulamentado pelo ministério, também será abordado pela campanha.

"O parto normal pode ser uma experiência enriquecedora para a mulher e sua família se atendido de forma humanizada e com fundamentação em evidências científicas e sem intervenções desnecessárias. As cesáreas aumentam riscos de morte, lesões acidentais, reações à anestesia, infecções e hemorragias das usuárias, e de prematuridade e desconforto respiratório, de seus bebês", ressalta a diretora do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Cristina Boaretto.

escrito por BARTIRA CARVALHO em 23:08

Sexta-feira, Maio 26, 2006

PROJETO BOA HORA...


Conheça AQUI um pouco do projeto Boa Hora, uma série de documentários idealizada pelas jornalistas Daniela Buono e Joanna Savaglia. Ainda em busca de patrocínio para lançar os vídeos nas emissoras de TV, o Boa Hora pretende incentivar um aumento no número de partos normais - tanto em casa, quanto em hospitais - e diminuir o índice de cesáreas desnecessárias, que acontecem por comodidade da mãe ou do próprio médico.

**Vídeo sobre o Projeto "Boa Hora! - A gravidez, o parto e o pós-parto com naturalidade"**

Agradecimento:
Daniela Buono (11) 8158-7004 & Joanna Savaglia (11) 3167-3866

escrito por BARTIRA CARVALHO em 12:14

Quarta-feira, Maio 24, 2006

SUS vai pagar despesas de acompanhante em partos


Fonte:http://www.comciencia.br/noticias/2005/12/parto.htm

A partir de dezembro (NOTA DA BART: essa notícia foi publicada em meados de dezembro de 2005!), qualquer gestante atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) terá direito a ter um acompanhante, com custos pagos pelo Estado, de acordo com portaria do Ministério da Saúde. A medida foi publicada no Diário Oficial da União em 6 de dezembro, e vem regulamentar a lei 11.108, sancionada em abril deste ano, que obriga o governo a permitir a presença de um acompanhante escolhido pela gestante na sala de parto. No mesmo dia, a enfermeira Odaléa Maria Brüggemann defendeu tese sobre o assunto, no Departamento de Tocoginecologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Em seu estudo, Odaléa investiga a importância de um acompanhante durante e após o trabalho de parto. Como base da pesquisa, ela mediu o nível de satisfação em vários procedimentos antes, durante e após o parto, num grupo de 212 gestantes - 105 acompanhadas e 107 sem acompanhamento - atendidas no Hospital Estadual de Sumaré, entre fevereiro de 2004 e março de 2005. O questionário incluía variáveis como cuidados e orientação médica durante o parto, e foi aplicado em até 24 horas depois do parto. A enfermeira constatou que as mulheres acompanhadas tiveram um índice de satisfação cinco vezes maior em relação aos resultados apurados no grupo de controle. Em se tratando do pré-parto, o índice foi oito vezes maior, quando comparado com as mulheres que não tiveram acompanhante.

A tese inclui, ainda, uma pesquisa qualitativa com onze profissionais de saúde. Segundo Odaléa, embora os entrevistados digam que o apoio emocional garantido pela presença de um acompanhante não interfere na rotina hospitalar ou na conduta clínica, eles admitem que a presença do acompanhante resgatou nos profissionais de saúde o significado do nascimento, provocando uma atitude mais humana e menos rotineira. "Mas se não houver essa atitude positiva dos profissionais em relação ao acompanhante, de nada adianta a lei", alerta a pesquisadora.

Embora essa prática seja recomendada pela Organização Mundial da Saúde para a humanização do nascimento, existem poucos exemplos na América Latina. O Uruguai foi o primeiro país a ter uma legislação para garantir esse direito às mulheres; na vizinha Argentina, a lei foi implantada há dois anos. O fato de só agora o Brasil ter despertado para essa necessidade deve-se ao receio, por parte dos profissionais de saúde, de que o acompanhante pudesse introduzir infecções ou interferir nas atividades médicas.

De acordo com outros estudos científicos nacionais e internacionais citados na tese e que envolvem mais de 5 mil mulheres, as gestantes ficam mais seguras e confiantes durante o parto, quando acompanhadas por alguém de sua confiança. As pesquisas mostram que essa presença pode significar uma redução nas medicações para alívio da dor, na duração do trabalho de parto, no número de cesáreas e nos casos de depressão pós-parto.


Dificuldades

A realidade brasileira, contudo, coloca em dúvida a implementação da lei. Segundo o médico e diretor associado do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism) da Unicamp, Renato Passini Júnior, que já viajou pelo país como membro da comissão avaliadora dos cursos de residência médica em ginecologia e obstetrícia, a maior parte das maternidades públicas funciona com espaço limitado para a equipe médica e de enfermagem. "A lei tem um significado bonito para a humanização do parto, mas o governo precisa melhorar a infra-estrutura de seus hospitais", diz o médico.

Os hospitais públicos e conveniados terão seis meses para adequar e reorganizar o espaço disponível para permitir acompanhantes durante o parto. O Ministério da Saúde pretende repassar um incentivo financeiro adicional para cada Autorização de Internação Hospitalar (AIH), garantindo ao acompanhante o recebimento de acomodação e refeições. A portaria de regulamentação da lei foi assinada pelo ministro da Saúde, Saraiva Felipe, durante a II Conferência Internacional sobre Parto Humanizado, realizada no Rio de Janeiro, em 2 de dezembro.

escrito por BARTIRA CARVALHO em 23:42

Quarta-feira, Maio 10, 2006

Rede de mulheres faz ação pública pelo parto normal em cinco capitais no Dia das Mães


No mês em que se comemora o Dia das Mães e a Semana Mundial de Respeito ao Nascimento, a rede Parto do Princípio, que reúne 200 ativistas em 13 estados brasileiros, vai às ruas para homenagear as mães brasileiras e incentivar uma nova forma de gestar, parir e nascer.



A ação coordenada acontece no sábado, dia 13 de maio, em São Paulo (Parque Ibirapuera - das 14:30 às 17 hs), Rio de Janeiro (Parque dos Patins - das 11 às 14 hs), Recife (Parque da Jaqueira - das 15:30) e Porto Alegre (Parque da Redenção - das 11 às 13 hs).
Em Salvador o evento ocorrerá no final da passarela que liga a Rodoviária com o Shopping Iguatemi, ocorrendo em frente a entrada do mesmo, das 12:00 hs as 13:30 hs, marcando, também, o lançamento do Núcleo Salvador. O evento terá a participação da Dep. Estadual Lidice da Mata.
As ativistas estarão vestidas com a camiseta da Parto do Princípio e vão dar um presente para as mulheres em homenagem ao Dia das Mães. Haverá também a distribuição de panfletos de incentivo ao parto normal ativo e protesto contra o uso indiscriminado da cesariana no Brasil.

A ação também divulgará o novo site da rede (www.partodoprincipio.com.br), que reestréia esta semana totalmente reformulado: novo layout, novos artigos (que exploram a fundo a questão da dor do parto), novas seções (notícias, relatos de partos, entre outras) e uma entrevista exclusiva com Renata Dias Gomes, neta de dois gênios da dramaturgia brasileira, Janete Clair e Dias Gomes. Ela fala sobre seu parto natural hospitalar, seu ativismo pró-parto-normal e a vida como roteirista de telenovelas.

O novo site está lançando ainda a Campanha pelo Fim da Taxa do Acompanhante nas Maternidades Particulares, que pretende levar um abaixo-assinado ao Congresso Nacional, pedindo que a Lei do Acompanhante (recém-aprovada para o SUS, garantindo a presença acompanhante no momento do parto) passe a valer também para os hospitais privados, sem custos para a gestante.

A ação pública e o novo site representam a participação 'antecipada' da Parto do Princípio na Semana Mundial de Respeito ao Nascimento, promovida pela ONG francesa AFAR (www.smar.info), que acontece de 15 e 21 de maio, em diversos países da Europa e na Argentina. O objetivo geral do movimento é protestar contra o uso excessivo de intervenções médicas no momento do nascimento, os desnecessários protocolos hospitalares e a industrialização do processo de nascimento.


*INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES*

Desde seu lançamento, em 8 de março, Dia da Mulher, a Parto do Princípio - Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa, vem tendo repercussão muito positiva tanto na mídia quanto na sociedade civil. Durante a semana de estréia do site, por exemplo, foram dadas mais de 20 entrevistas para a mídia, o site recebeu mais de 2 mil acessos e o movimento conquistou 50 novas filiações.

"Nosso objetivo é oferecer 'apoio de mulher para mulher' para quem está grávida ou planeja ficar", diz Ingrid Lotfi, uma das idealizadoras do movimento formado por uma rede virtual de mulheres brasileiras, que trabalham diariamente pela internet na divulgação dos benefícios do parto normal ativo.

O próximo passo é registrar o movimento como ONG, o que deve acontecer ainda este ano para que a Parto do Princípio possa ampliar seu papel enquanto canal de informação e apoio às gestantes que desejam ter um parto normal ativo, mas enfrentam os inúmeros obstáculos no sistema obstétrico brasileiro, que registra altas taxas de cesariana (27% na rede pública e 80% na rede particular de saúde).

O movimento prevê ainda uma série de ações de alcance local e nacional. Conheça algumas delas:

- Promover encontros presenciais gratuitos de apoio e discussão sobre gravidez, parto e pós-parto em todas as cidades onde exista uma representante da rede.

- Articular o envio de críticas e reclamações para veículos de comunicação que divulgarem informações equivocadas sobre gravidez e parto.

- Conquistar espaço na mídia para divulgar informação de qualidade sobre gravidez e parto, sempre alinhadas com as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

- Produzir uma cartilha para divulgação dos benefícios do parto normal ativo.

- Oferecer material de divulgação e realizar palestras com informação de qualidade em comunidades locais (igrejas, empresas, escolas, etc).

- Representar a 'voz das mulheres' em eventos científicos e sociais de saúde da mulher, saúde infantil e saúde reprodutiva (congressos, conferências médicas, feiras).

- Produzir documentários, vídeos e programas de rádio educativos para distribuição e veiculação gratuitas em todo o Brasil.

- Produzir campanhas contra o desrespeito e descumprimento dos direitos da mulher nas instituições públicas e particulares.

- Realizar um Congresso Anual para discussão de conquistas e metas das mulheres na luta pela humanização do nascimento e melhoria no atendimento ao parto no Brasil.

- Promover uma comissão política responsável pela elaboração de documentos, manifestos, abaixo-assinados e articulação de projetos de lei municipais, estaduais e federais.


*FICHA TÉCNICA*

Evento:
Ação Parto do Princípio no Dia das Mães

Data:
Sábado, 13 de maio

Locais:

São Paulo - Parque Ibirapuera - Praça do Porquinho - portão 6
Horário: das 14:30 às 17 hs

Rio de Janeiro - Parque dos Patins
Horário: das 11 às 14 hs

Recife - Parque da Jaqueira
Horário: das 15h30 às 17hs

Porto Alegre - Parque da Redenção
Horário: das 11 às 13 hs

Salvador - em frente ao Shopping Iguatemi, final da passarela entre a Rodoviária e o Shopping
Horário: das 12 às 13:30 hs


*MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A AÇÃO*

SP
Roberta Marcinkowski - roberta@partodoprincipio.com.br
Tel. (11) 3272-8908 / 8208-2119

Daniela Buono - danibuono@partodoprincipio.com.br
Tels. (11) 5536-0182 / 8158-7004

Ana Cristina Duarte - anacris@partodoprincipio.com.br
Tels. (11) 3727-1735 / 9806-7090

Luiza Naked - luiza@partodoprincipio.com.br
Tel. (11) 9274-3731

Renata Penna - repenna@partodoprincipio.com.br
Tels. (11) 61626654 / 81444816

RJ
Maíra Libertad Soligo Takemoto - maira@partodoprincipio.com.br
Tel. (21) 8204-9279

Ingrid Oliviera Lotfi - ingrid@partodoprincipio.com.br
Tel. (22) 2453-4368 / 9321-2989

RS
Larissa Grandi
Tel. (51) 3249-6034 / 9986-7488 - larissa@partodoprincipio.com.br

BA
Monica Camões - monicatcamoes@hotmail.com
Tel. (71) 3334-5346

PE
Moema Silva - moemasilva@terra.com.br
Tel. (81) 9635-5313 / 3468-7921

Daniela Gayoso - dangayoso@oi.com.br
Tel. (81) 9973-8035 / 3454-2505

Julia Morim - jmorim@yahoo.com
Tel. (81) 9979-8817 / 3266-5043

Marina Maria - marinamts@gmail.com
Tel. (81) 8805-2105 / 3274-0444

escrito por BARTIRA CARVALHO em 23:36

Segunda-feira, Maio 08, 2006

Uma rede nacional de mulheres unidas pelo seu direito de parir...


Partimos do princípio de que uma nova forma de gestar é possível.

Partimos do princípio de que toda mulher pode fazer sua revolução particular para ter um parto normal, ativo e saudável.

Nosso princípio é o fim das cesarianas desnecessárias no Brasil!

Conheça nosso trabalho e participe: www.partodoprincipio.com.br.

Com base nos nossos princípios acreditamos que começando por cada uma de nós é que podemos fazer uma história diferente para o parto e nascimento no Brasil!

Junte-se a nós na Ação da Parto do Princípio no Dia das Mães, em prol do protagonismo da mulher no parto e contra as cesarianas desnecessárias no nosso país!

A Ação será realizada em várias cidades do Brasil no sábado, dia 13 de maio, em homenagem também ao dia das mães... Aqui no Rio de Janeiro estaremos no Parque dos Patins, na Lagoa, das 11 às 13 horas.

Às 11 horas haverá a apresentação do Grupo de gestantes da Casa de Parto David Capistrano (Realengo - RJ) que faz dança como terapia corporal na gestação. Após, estaremos reunidas para uma confraternização e para trocar informações, dar orientações sobre nossa rede e divulgar nosso trabalho.

VENHAM NOS ENCONTRAR!!!

Para mais informações, entre em contato comigo por email: bartira.carvalho@globo.com.

escrito por BARTIRA CARVALHO em 22:35

Quarta-feira, Abril 19, 2006

Veja alguns números e alguns fatos do que está acontecendo com o parto no Brasil...


1) 79% dos partos realizados no setor privado são cesarianas. (Dados de 2004)

2) 27% dos partos realizados pelo SUS são cesarianas. (Dados de 2004)

3) A OMS recomenda que apenas 15% dos partos sejam cesáreos.

4) 77% das mulheres brasileiras entrevistadas preferem parto normal. Entrevista realizada antes e depois do parto. (http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/PDF/1998/a160.pdf)

5) Um parto normal pode durar até 48 horas.

6) O custo do parto normal para médicos e hospitais é até 30% maior do que na cesariana, contabilizando o tempo de atenção dispensados pelas enfermeiras e equipe médica, o tempo de utilização de salas especiais para parto etc.

7) O número de cesarianas no SUS foi reduzido no momento em que o Governo decidiu estabelecer uma cota de remuneração para cesarianas, por mês. Isto é, acima de uma determinada porcentagem, a cesariana não é remunerada.

8) O número de cesarianas não diminuiu no setor privado, apesar da equiparação de remuneração dos médicos pelos dois tipos de procedimentos.

9) O Ministério da Saúde não tem o poder de interferir na saúde privada.

10) O órgão regulador que fiscaliza os planos de saúde e convênios é a ANS, que pouco pode fazer também, enquanto não houver denúncias.

11) Apesar da cesariana de ter se tornado uma cirurgia mais segura, continua sendo uma cirurgia de amplo aspecto, com todos os riscos de uma cirurgia de amplo aspecto.

12) Os riscos de uma cesariana para a mãe são 350% maiores de complicações posteriores e para o bebê 400% maiores de problemas respiratórios.

13) Hospitais ganham na venda dos medicamentos e nas internações, especialmente internações em UTIs.

14) Hospitais e profissionais da área da saúde também têm metas de "produtividade". Internações e procedimentos desnecessários são utilizados para bater essas metas.

15) Médicos conseguem negociações mais vantajosas com os hospitais, pela quantidade de clientes internados e pela quantidade de horas utilizadas de centro cirúrgico.

16) Os hospitais cobram esta conta dos convênios. Os convênios cobram este custo desnecessário de todos os segurados.

17) O maior cliente do hospital não é o paciente, mas o médico.

18) Cesárea por conveniência médica é uma transgressão ética. (http://www.amigasdoparto.com.br/ac025.html)

19) Em 60% dos casos de cesárea no Brasil, a razão médica apresentada não justificava o procedimento e era no mínimo duvidosa. (Idem artigo acima)

escrito por BARTIRA CARVALHO em 22:59

Sexta-feira, Abril 14, 2006

Trevas e Luz


Fonte: mensagem enviada pelo Dr. Ricardo Herbert Jones para a lista Parto Nosso em 14 de Abril de 2006.

"O caminho que a humanização do nascimento vem trilhando é igual a todos os outros movimentos 'libertários' que podemos distinguir ao analisar a história da humanidade. O ponto de partida para qualquer um desses movimentos, qualquer que seja sua época de aparição, é sempre uma indignação surda, uma inquietação sem objeto claro, uma 'farpa na mente, ardente e corrosiva', como me dizia Maximilian. Sabemos que algo está fora de lugar, mas não entendemos bem o que. É como a clara sensação de que saímos da estrada porque nos falta o asfalto sob os pés, mas não sabemos onde estamos nem como voltar para o caminho. Uma sensação de isolamento e dor; raiva e medo.

Em qualquer uma das situações que possamos analisar, a trajetória será semelhante. Quando observamos as lutas trabalhistas do início do século XX, notamos que a indignação dos trabalhadores com os baixos salários, a exploração, as péssimas condições de higiene e a carga desumana de trabalho foram respondidas por eles com violência e agressão, como a destruição de máquinas e a queima dos equipamentos. Não havia sutileza alguma: a maquinaria e o empresariado eram diabolizados, e criava-se a ilusão de que a simples destruição irrefletida dos equipamentos poderia suavizar a discrepância entre os que detinham o capital e os que se submetiam a ele.

O correr dos anos nos mostrou que esta estratégia não era capaz de solucionar a questão. O empresariado, mesmo que despótico e desumano, era composto de indivíduos que não diferiam, em essência, dos proletários. Bastava que um empregado atingisse os estratos burgueses da sociedade para que passasse a agir de acordo com os antigos inimigos. Assumia todos os trejeitos e vícios dos que outrora criticava. A possibilidade de ascensão social nos mostrou que as diferenças não eram devidas a uma essência diferenciada entre 'bem-nascidos' e 'miseráveis', mas sim o produto de uma ultra-estrutura desigual e perversa que era (é) a arquitetura básica de nossas sociedades.

A destruição dos móveis, equipamentos e mesmo dos próprios burgueses jamais melhorou qualquer modelo social ocidental. A experiência do socialismo científico 'real', da antiga União Soviética, deixou clara a impossibilidade de acabar à força com estas diferenças sociais. Mudanças desta natureza ocorrem apenas quando a sociedade inteira dá um passo no sentido da solidariedade e da união. Jamais ocorreram por decreto.

A humanização do nascimento também surgiu como um movimento de indignação e protesto contra o que nos parecia uma violação da natureza. Carregamos no íntimo um "genus protetans" (expressão que o Max usava) que é ativado quando algo suficientemente ameaçador atinge a nossa espécie. Temos uma percepção inconscientemente de que, se violarmos o momento do nascimento, estaremos colocando em risco a própria sobrevivência da espécie. Os anciãos Innuit diziam 'É preferível que morra uma criança do que exterminar uma cultura', explicando porque achavam que a remoção de mulheres grávidas para grandes cidades do Canadá colocava em risco toda a cultura esquimó, pois que nenhuma criança nascia nos eu solo sagrado: eram todas 'estrangeiras', 'alienígenas em sua própria terra'.

Entretanto, nossa forma de reagir frente ao que entendemos como ameaça difere no tempo, como qualquer outro movimento, mas não nos passos fundamentais. No passado, 'queimávamos' a tecnologia e os médicos, acreditando serem eles os responsáveis por uma cultura que desprezava as qualidades femininas de gestar e parir. Tínhamos a idéia de que eles, movidos por sentimentos egoísticos e interesseiros, eram os culpados pela situação que ainda nos encontramos. A hospitalização de todas as mulheres, o uso de drogas perigosas na gravidez e no parto, as analgesias e cirurgias desmedidas e a alienação crescente das mulheres, eram vistos pelos humanistas como produções que tinham um grande culpado: os médicos e a sua medicina mercantilista.

Foram necessários alguns anos para que percebêssemos o simplismo ingênuo dessas afirmações. Médicos nada mais são do que produtos de uma sociedade tecnocrática, que reproduzem valores que a mesma sociedade valoriza. Não existe sociedade violenta com médicos vestais; não existe sociedade evoluída em que os médicos também não sejam preparados de forma menos agressiva. A tela de Magritte 'Drawing Hands' é para mim a melhor metáfora deste modo de ver nosso crescimento: duas mãos em oposição, em que uma acaba o desenho da outra. Somos responsáveis pelos médicos e pela medicina que cultuamos. Somos os CRIADORES e perpetuadores deste modelo, e só nós poderemos mudá-lo. Médicos e medicina obedecem inconscientemente aos ditames profundos desta cultura e, portanto, mudar o modo como nascemos é uma tarefa de cada um de nós que compõe esta civilização. Uma assistência gentil e digna ao nascimento criará as condições psicológicas para uma sociedade menos violenta; ao mesmo tempo uma sociedade menos violenta EXIGIRÁ que nossos cuidadores atendam mulheres com suavidade, gentileza e respeito no momento de parir. Uma mão acaba o desenho da outra, formando um círculo virtuoso.

As trevas da assistência ao nascimento surgem desta vinculação do nascimento humano às correntes de pensamento que desqualificam a mulher e o feminino. Somos herdeiros de um modelo patriarcal que nos acompanha há mais de 10 mil anos, criado pelas necessidades advindas da posse e da guerra. Enquanto mulheres forem consideradas seres inferiores e defectivas (pois não afeitas ao combate), jamais poderemos ter dignidade no momento do nascimento. Enquanto a violência for o método natural de relação entre as criaturas, os guerreiros e os senhores da guerra serão os donos desta civilização. A mudança será pela paz. Somente a PAZ poderá nos retirar das trevas e nos elevar à luz.

Uma boa Páscoa a todos!"

escrito por BARTIRA CARVALHO em 23:58

Quinta-feira, Abril 06, 2006

Um papo sobre circular de cordão e cordão curto...


A gente vê que é muito comum as circulares de cordão umbilical e cordões umbilicais curtos serem razões para cesárea, algumas vezes com data marcada antecipadamente, inclusive.
Nas listas de discussão, nas listas de grávidas, de mães, etc. o tema é sempre abordado e a insegurança com relação a isso é geral. Há alguns dias circulou na lista Parto Nosso, da qual fazemos parte, mensagens sobre o tema, novamente, e resolvemos fazer um apanhado breve de informações interessantes para publicar aqui...

Caso você não saiba, de 30 a 40% dos bebês têm circulares de cordão. É um fato tão corriqueiro e sem valor que não sabemos porque ainda escrevem isso nos exames de ultrassom. A Ingrid, como doula, já acompanhou partos com bebês que tinham 3 voltas de cordão e não foi nada demais. É possível e fácil desenrolar as voltas no momento do parto e, se forem apertadas, o cordão pode ser cortado precocemente. Não se esqueçam que os bebês na barriga e na hora do nascimento ainda não respiram pelos pulmões e sim pelo cordão. Dizer que um cordão enrolado no pescoço pode levar ao sufocamento é como dizer que um bebê que nasce na água se afoga! Ficamos imaginando como os bebês conseguem ficar tanto tempo na barriga enrolados no cordão e imersos na água!

Cabe salientar que cordão curto é diferente de cordão enrolado. Além disso, qualquer parto pode complicar, principalmente se tiver uma assistência ruim.
É como "fazer arroz", mal comparando... Digamos que ele comece a "queimar". Quem tem experiência vai lá, abaixa o fogo, dá um jeitinho e a coisa sai. Mas quem não sabe se desespera, joga água em cima e termina de estragar tudo! Como resolve isso? Avisando que arroz que começa a queimar tem risco de estragar todo? Eu prefiro deixar o arroz fora disso e sugerir um bom cozinheiro ;-).

Existe um (um!) caso raro que tivemos notícia de ter acontecido certa vez que foi o de um bebê que morreu ainda dentro da barriga da mãe porque havia um nó verdadeiro de cordão. É praticamente impossível detectar um caso desses e olha que nem estamos falando disso, e sim de voltas.

Existem casos que são fatalidades, não há como fugir. São os riscos inerentes da vida, do fato de estarmos vivos, respirando, vivendo e circulando por aí. O jeito é relaxar. Sair a pé no Rio de Janeiro me acrescenta um risco "X" de morrer de assalto. Eu deixo de sair e passo a andar de carro. Meu carro é roubado e eu sou assassinada após um seqüestro relâmpago. Adiantou alguma coisa?
Vale a pena relembrar que você pode morrer toda vez que sair nas ruas do Rio?
Pois, então, o risco de morrer de cordão enrolado é bem mais remoto que esse. Fazer terrorismo com isso não adianta nada, só nos coloca ainda mais nervosas.

Se queremos combater o alto índice de cesáreas, precisamos combater a cultura do medo e do terrorismo. Uma sociedade medrosa, é uma sociedade entregue e sem liberdade. Riscos remotos sempre existem e precisamos conviver com eles de maneira natural. É diferente de um caso onde a mulher tem uma gravidez REALMENTE de alto risco. Isso sim merece cuidados especiais...

escrito por BARTIRA CARVALHO em 00:14

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Meu nome é Ingrid Lotfi, tenho 30 anos, sou do Rio de Janeiro. Sou doula formada pela ANDO e Analista de Sistemas. Sou casada e tenho um filho de 5 anos, chamado João Victor que nasceu de uma cesárea desnecessária, o que gerou todo esse meu envolvimento com a área de humanização do nascimento.

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Meu nome é Bartira Carvalho, tenho 30 anos, sou do Rio de Janeiro. Sou bióloga e trabalho com Informática na área das Geociências. Tenho uma filha de 5 anos e 5 meses que nasceu de parto normal hospitalar. Meu interesse pelo Parto Humanizado vem da época da gestação, mas somente em 2003 consegui pensar sobre o parto, digerí-lo e então lutar pela divulgação da humanização do nascimento. Também escrevo no XôEpisio!

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Recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1996

Para humanizar o Parto as seguintes condutas:
No pré-natal
planejar onde e como o nascimento será assistido;
avaliação do risco durante a gestação;
monitoramento do bem-estar físico e emocional da mulher;
respeitar a escolha da gestante sobre o local e nascimento;
prestar informações sempre que necessário;

Na admissão
respeitar a privacidade da mulher;
respeitar a escolha do acompanhante;

Durante o trabalho de parto
oferecer líquidos via oral;
dar suporte emocional empático;
prestar informações sempre que necessário
uso único de materiais descartáveis;
respeitar o direito à opinião sobre a episiotomia;
corte do cordão umbilical tardio com material estéril;

Posição durante o trabalho de parto
encorajar a posição não deitada;
liberdade de posição e movimento;

Controle da dor
alívio por meios não invasivos, não farmacológicos (massagens, técnicas de relaxamento, etc...);

Monitoramento
do bem-estar físico e emocional da mulher;
fetal, por ausculta intermitente do progresso do trabalho de parto por meio do partograma;

Após a dequitação
exame de rotina da placenta;
uso de ocitócitos no terceiro estágio se há risco de hemorragia;
prevenção da hipotermia do nenê;
amamentação na primeira hora.

Os Direitos da Mulher
01. Presença do companheiro ou alguém da família para acompanhar o parto, dando segurança e apoio.
02. Receber as orientações, passo a passo, sobre o parto e os procedimentos que serão adotados, com a mulher e o bebê. A mulher bem informada faz melhor a sua parte, ajuda mais.
03. Receber líquidos (água, suco), pois o trabalho de parto pode durar até 12 horas.
04. Liberdade de movimentos durante o trabalho de parto. A mulher pode caminhar sem restrições.
05. Escolha da posição mais confortável para o parto.
06. Relaxamento para aliviar a dor. Pode ser massagem, banho morno ou qualquer forma de relaxamento conveniente para a mulher.
07. Parto seguro, sem muitos procedimentos que podem até atrapalhar em vez de ajudar. É importante verificar sempre as contrações e escutar o coração do bebê.
08. Contato imediato com o bebê logo que nasce. Muito importante para mãe e filho.
09. Alojamento conjunto, para que o bebê fique o tempo todo perto da mãe, recebendo seu carinho e atenção.
10. Respeito. A mulher deve ser respeitada, chamada pelo nome, ter privacidade, ser atendida em suas necessidades.

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